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Puerpério

O tempo passa tão rápido, e eu só me preocupo em curtir cada dia de vida da minha filha. Isabella está com 4 meses e 22 dias e só adormece embalando no colo e eu acordo de 2h em 2h para ela mamar. Meus braços doem às vezes, mas eu nunca nego colo para a minha bebezinha. Eu sou grata por todos esses momentos, por mais que sejam cansativos, eles são únicos.
O puerpério foi uma fase difícil, uma melancolia que se mistura com sentimentos de medo e incerteza… mas com muitos aprendizados e uma rede de apoio importantíssima: Fernando, Maria Queiroz (minha mãe) que estiveram ao meu lado o tempo todo me dando toda força e apoio que eu precisava, além de compartilhar as noites sem dormir; ex-colegas de trabalho e de faculdade (Nattally Luz, Cristiane, Kelly) que me estenderam a mão – sou grata pelas conversas e trocas de experiências, vocês me fortaleceram.
Vejo relatos de mães que sentem falta da vida e do corpo que tinham antes… e eu não me sinto assim. A minha vida ficou mais feliz, mais completa e com muito mais amor e meu corpo ficou mais bonito.
Eu me olho no espelho e amo o que vejo. Nossa, como eu to mais bonita!
Minha barriga ainda não voltou completamente e eu ainda tenho aquela linha escura no meio, e eu olho para isso com gratidão, é como uma recordação de ter gerado uma vida tão linda. Minha cicatriz tá sumindo tão rápido, e eu nem sei se estou preparada para me despedir dessa marca tão linda no meu corpo. Vai devagar tempo, deixa eu aproveitar minha bebezinha. ❤


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(Amar)mentar

Semana Mundial de Aleitamento Materno 2019 (01/08/2019 – 07/08/2019)

Eu me preparei tanto para o parto que eu queria (e eu não consegui ter), e não fazia ideia de que deveria ter me preparado para a amamentação. As consultas de pré-natal acompanharam somente a saúde e o desenvolvimento do bebê, tive pouquíssimas informações sobre parto e nenhuma sobre pós-parto e amamentação. 

Na maternidade, também não fui instruída de como obter sucesso na amamentação, simplesmente colocam o bebê no seu peito para mamar. No terceiro dia de pós-parto, meu peito já estava dolorido e machucado, sinceramente, eu achei que isso não fosse acontecer comigo, e também não imaginava que havia algo de errado porque achava que o processo da amamentação era natural.

Quando fui para casa piorou, eu chorava de dor e de tristeza por ter ser tornado um momento de tamanho sofrimento pra mim. Eu fui além do meu limite e tive que dar uma pausa para o meu peito se recuperar e durante 12h fiz o uso da fórmula com o copinho. Nesse período, meu leite desceu mas tava ingurgitado e a especialista em aleitamento materno, Aline Paranhos, foi quem me salvou. Me ensinou a fazer ordenha, me explicou como é a pega correta e como ajustar se tiver errada. 

As feridas cicatrizaram rápido durante os intervalos das mamadas com erva mentruz e pomada de lanolina. Depois da ordenha, o leite fluiu e a Bella não sugava com tanta força e quando não acertava a pega eu ajustava com o dedo. A partir daí cada mamada sem dor era uma vitória para mim e eu agradecia a Deus por ter conseguido mais uma. E desde então a amamentação tem sido um dos momentos mais preciosos entre mim e Bella, de amor e de conexão. É um prazer indescritível. Eu amo amamentar, por mais que seja cansativo às vezes. Nada paga ver aqueles olhinhos de satisfação e o soninho gostoso que vem logo em seguida. Agora são 2 meses e 24 dias com Bellinha linda e super saudável só com leite materno. Fica aqui minha homenagem e meu incentivo na semana mundial do aleitamento materno e meu carinho a todas as mamães que conseguem amamentar e praquelas que não conseguiram também. Somos guerreiras. 💗


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Relato de parto – Amparo Maternal

A escolha da maternidade

Eu poderia ter agendado minha cesárea no HFASP, ia chegar ao hospital linda, maquiada e sem dor, mas eu queria passar pela experiência do parto normal, sem nenhuma intervenção médica, e por esse motivo escolhi o Amparo Maternal por ser considerada pela mídia como referência em parto normal humanizado.

Antes de decidir, li alguns relatos e eles não me ajudaram muito porque cada experiência é única e em qualquer lugar terão experiências boas e ruins, então não consegui tirar uma conclusão a partir disso. No entanto, as notícias eram sempre boas e referindo-se ao Amparo como maternidade de referência em parto humanizado.

Quando passei lá para conhecer, fui bem atendida na recepção, me explicaram tudo, não fiquei com nenhuma dúvida e me convidaram para passar por uma consulta. Mediram minha pressão e monitoraram a bebê com o cardiotoco. Conversei com uma enfermeira, tirei todas as minhas dúvidas referentes ao parto normal e nem toquei em assunto de eventual cesárea porque eu tinha certeza que não iria precisar. Saí de lá satisfeita com o atendimento e com a certeza de que teria uma boa experiência lá.

A bolsa estourou

O dia chegou, só que não exatamente como eu esperava. Minha bolsa rompeu por volta das 17h30 do dia 11/05 e eu não estava em trabalho de parto, entramos em contato com a doula que contratamos de última hora, e ela disse pra eu ir para casa e fazer exercícios para estimular o trabalho de parto. Tomei suco de gengibre, fiz spinning baby,  subi e desci escada e nada. Às 22h resolvi ir para o Amparo, chegando lá o diagnóstico era: bolsa rompida mas o colo estava fechado e o parto seria induzido com misoprostol. 

Já fiquei bem preocupada com esse quadro, queria que as coisas estivessem fluído de outra forma. Na sala de parto, fui atendida por uma enfermeira super fofa e atenciosa que leu meu plano de parto e me explicou sobre os protocolos do hospital que estavam todos de acordo com o meu plano. Só que ela não pôde me dar muita atenção depois disso, porque tinham muitos atendimentos para fazer, muitos bebês nascendo ao mesmo tempo e eu fiquei sozinha na sala com o Fernando aguardando a chegada da doula. 

Indução de parto normal

Após a indução, as contrações começaram e até então consegui passar por elas deitada e apertando a mão do Fernando, só que depois eu passei mal, coloquei para fora o lanche que eu tinha comido pouco antes de internar e vomitei umas 3 ou 4 vezes durante o trabalho de parto.  Achei que conseguiria fazer alguma coisa para suportar a dor, como caminhar, banho de água quente ou sentar na bola suíça, mas eu mal consegui dar dois passos e só me contorcia de dor. 

Eu dilatei muito rápido, 2h depois da indução eu já estava com 8 cm de dilatação e apesar da dor eu fiquei contente porque achei que o parto seria logo. Durante todo o processo de trabalho de parto com as dores se intensificando e eu sem saber o que fazer para aliviar, eu entrei em parafuso e os conselhos da doula não estavam servindo para mim naquele momento, os óleos relaxantes, o banho quente ou as posições sugeridas para passar a dor… nada disso serviu. (Obs.: No site do Amparo diz que tem analgesia caso a mulher solicite para suportar melhor a dor, mas eles não têm. Eu já sabia que não tinha, mas tem uma hora que a gente começa a pedir tudo, inclusive a cesárea.)

Qualidade do serviço prestado

E para piorar, me senti desamparada o tempo todo pelas equipes que me atenderam durante todo o processo porque não tive qualquer orientação para que o parto fluísse sem complicações, além de não ter tido suporte emocional e psicológico para passar por essa experiência completamente nova pra mim. 

Me senti boa parte do tempo perdida, transtornada e sem saber o que fazer para aliviar a dor. Nos picos de dor eu fazia força, e me orientavam para abaixar na banqueta ou ficar de quatro apoios, e com o passar do tempo eu percebi que não estava evoluindo e desanimei bastante. Na manhã seguinte, tentaram a indução com ocitocina e decidiram aguardar 1h e nada aconteceu, aliás foi o momento em que eu consegui dormir um pouco de tão exausta, apesar da dor. 

Após os inúmeros e doloridos exames de toque constatou-se que eu estava com um edema no colo do útero e que minha dilatação tinha estagnado em 8 cm, evoluiu para 9 cm e recuou para 8 cm, em seguida o sonar acusou um pico nos batimentos cardíacos da bebê e finalmente fui encaminhada para a cesárea.

Cesárea após 12h

Na cesárea, me senti mais respeitada e bem cuidada pela equipe do centro cirúrgico, eles foram muito atenciosos. Confesso que eu fiquei com medo da anestesia porque eu estava com muita dor e fiquei com medo de mexer, mas deu tudo certo e o alívio foi imediato. Eles me diziam tudo o que estava sendo feito, Fernando estava ao meu lado o tempo todo segurando minha mão. 

No entanto, não respeitaram meu plano de parto, e eu não pude ver minha filha nascer porque não abaixaram o campo cirúrgico e não tive a Golden Hour, me mostraram ela já limpinha e enrolada num pano e de touca, tiramos uma foto e levaram-na  logo em seguida para fazer exames acompanhada do Fernando. Na sequência, fui encaminhada para uma sala de recuperação da anestesia enquanto aguardava o Fernando chegar com a Isabella e só então colocaram ela no meu colo para mamar.

No centro cirúrgico não é permitido filmar, tirar foto, nem usar o celular.  Eu assisti à tantos partos e o meu próprio eu não pude ver, nem por foto, porque não deixaram. Eu realmente lamento muito por isso, mas pelo menos, o fato de ter sido bem tratada durante a cirurgia, ressignificou um momento em que eu não me senti acolhida nem respeitada durante a tentativa do parto normal.

Quando a Bella nasceu, eu escutei um chorinho, eu estava emocionada demais e sem conseguir reagir, falar, pedir algo ou perguntar qualquer coisa depois de tudo, e não perguntei se eu podia assistir ao nascimento, ou por que ela não veio para mim assim que nasceu, com cordão umbilical placenta e tudo já que ela nasceu bem e saudável. Por isso que é tão importante ter um plano de parto, mas ainda assim, não atenderam ao que eu estava pedindo lá.

Referência em parto humanizado mas…

Depois de tudo, eu resolvi pesquisar sobre “edema no colo do útero” e descobri que fazer força antes da dilatação total pode causar o edema e até outras lesões, e às vezes, mesmo a mulher atingindo a dilatação total, pode ocorrer a desproporção cefalopélvica, em que a cabeça do bebê não tem como passar pela pelve da mulher. 

Logo, eu penso que, se eu tivesse sido instruída para suportar a dor e resistir à tentação de fazer força, possivelmente não teria causado o edema, talvez tivesse conseguido ter o parto normal, ou talvez não, já que também pode ocorrer essa desproporção cefalopélvica, mas pelo menos eu não teria gastado tanta energia sem necessidade, até porque fazer força não auxilia na dilatação e o neném não tem como nascer de parto normal até atingir a dilatação completa. 

Analisando a minha experiência, eu vejo como eu estava despreparada para enfrentar o parto normal, e durante todo o pré-natal, eu fui incentivada, mas não preparada para isso.

E como eu fiquei 12h em trabalho de parto, peguei umas 3 equipes diferentes devido à troca de plantão, e nenhuma delas me acompanharam como eu gostaria. Por impossibilidade mesmo, porque é sempre muito cheio e tem muitas mamães para atender, mas pelo menos, pelo pouco tempo que passavam comigo poderiam ter dito qualquer palavra de conforto naquele momento que teria sido fundamental, ao invés de abrir a boca pra dizer “entrou tem que sair” ou “você prefere ter um corte na sua barriga?” Se não tem nada de bom pra dizer, então é melhor não falar, a opinião alheia nessas horas pouco importa, o que importa é o desejo da mulher e a importância de transformar essa experiência em algo especial, principalmente por se tratar de um parto, um momento tão marcante na vida da mulher.

Se você deseja ter um parto humanizado, no Amparo, não há garantias de que isso vai ocorrer.  Pode ser que você tenha uma experiência maravilhosa, ou uma experiência um pouco traumática. Depende de como seu corpo vai conduzir o trabalho de parto, de como você vai lidar com a dor, do profissionalismo e empatia da doula e da equipe que for fazer o seu parto. No meu caso, não tive nenhuma equipe engajada comigo, me dando força, suporte emocional e psicológico e respeitando o meu momento, minha dor e meus desejos. O que importava era o protocolo do hospital, parto normal acima de tudo, sendo que tudo indicava que o parto normal não iria correr, então, adiar a cesárea até o último minuto foi completamente desnecessário, na minha opinião. 

Eles não tem infraestrutura para oferecer essa humanização linda que só enfeita a homepage e as notícias sobre o Amparo. É um local muito lotado e muito procurado em São Paulo, justamente por ser reconhecido como referência em humanização, mas na prática não é bem assim. Não tem como ter um parto humanizado se a equipe do hospital não pode te acompanhar durante todas as horas do processo de trabalho de parto, não oferecem apoio emocional e psicológico e não dão as orientações corretas para que seu parto flua sem complicações, interferências e sem exagerados exames de toques.

O Relato de parto que me impressionou

Resolvi procurar mais relatos após o meu parto, só por curiosidade, e achei o relato de uma mulher que chamou muito a minha atenção, porque ela sequer percebeu que foi vítima de violência obstétrica ao afirmar que foi muito bem tratada no Amparo. Sendo que eles estavam aterrorizando-a ameaçando trazer a equipe médica para fazer o parto com fórceps caso ela não colaborasse. Ela sabia que durante todo o processo, a respiração e a força que ela estava fazendo, não era ideal para favorecer o parto, mas também não tinha ideia qual era a forma correta. No final, finalmente, uma enfermeira a orientou corretamente e a filha dela nasceu tranquilamente sem precisar de instrumentos ou cesárea.

A escolha do parto

Eu acho super importante que a mulher conheça todos os benefícios e os riscos de todas as vias de parto e decida a partir disso o que é melhor pra si. Essa imposição do parto normal sobre a cesárea pode ser tão prejudicial quanto uma cesárea desnecessária. Por exemplo, não faz o menor sentido expor a mãe e o bebê a um parto normal violento, empurrando a barriga com os braços para “auxiliar” a descida do bebê ou com o auxílio de instrumentos como fórceps ou extrator a vácuo só para garantir um parto normal. Eu acho isso um tremendo absurdo e graças a Deus não sofri nenhuma violência desse tipo.

O dia mais feliz da minha vida

Apesar de tudo não ter saído exatamente como eu imaginava, eu tenho muita gratidão pela maternidade onde minha filha nasceu e o atendimento da equipe do centro cirúrgico ressignificou todo aquele momento que eu estava passando, mesmo não tendo o privilégio de vê-la nascer, eu ouvi e senti. Tudo o que eu passei foi pensando no melhor para minha filha, fiz tudo por ela e o mais importante é que ela nasceu linda, perfeita, tranquila e saudável.  

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Nascimento da Isabella

Isabella nasceu no dia 12/05, às 12:49 e eu nunca pensei que fosse possível sentir tanto amor e tanta felicidade de uma vez só. Nunca vou esquecer do momento em que ouvi seu chorinho, quando vi seu rostinho e senti suas mãozinhas acariciando meu rosto… Foi assim que conheci a minha filhotinha. Não foi um parto fácil, mas no final deu tudo certo. Só tenho a agradecer às pessoas que estiveram ao meu lado o tempo todo e me dando toda força, amor e coragem que eu precisava. 

Fernando Matt que é um parceiro de vida maravilhoso demonstrou seu amor, sua dedicação sentindo e vivendo junto comigo cada instante. Obrigada Aline e Larissa por todas as orientações, esclarecimentos e suporte emocional.

Agradeço sobretudo à equipe médica que nos tratou com muito carinho e atenção, e por ter transformado esse momento no mais lindo que eu poderia viver. 

Gratidão, amor, felicidade… uma enxurrada de sentimentos bons e aquela vontade louca de ser a mãe mais perfeita que eu puder ser. Seja bem vinda minha filha, eu já te amava desde o dia em que Deus te mandou pra mim. ❤

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Isabella

No início, eu senti muito medo, perdida. Insegurança, incerteza, sobre o que fazer, sobre como agir, sobre como seria minha vida daqui em diante, porque o caminho até aqui não foi fácil, e se planejar minha vida já era difícil, imagine agora.
Mas o acaso da vida me trouxe uma nova perspectiva. Uma nova visão do meu mundo e do mundo lá fora, e onde havia medo, hoje há esperança. Onde havia insegurança e incerteza, hoje há determinação. E antes perdida, agora sei para onde tenho de ir. As mudanças que você causou, as coisas positivas que você já fez em mim, no meu cuidado comigo, na minha ansiedade, na minha forma de ver família e amigos, e o que todos eles estão emanando pra mim, pra você e por nós, são mais do que eu poderia imaginar. Uma gratidão e um amor que eu não esperava receber me trouxeram uma enxurrada de felicidade que só cresce a cada dia.

Eu não sei como é ser mãe ainda. Mas sei que você me ensinará, Isabella. E aprenderemos juntas, com seu pai junto da gente. Vem logo. ❤

Personal Thoughts

O amor é para quem tem coragem de ser luz e não sombra

nao-ha-amor

Se não houve coragem, é porque nunca existiu amor. Quando se trata de AMOR, não existe escolha “mais fácil” “mais prática”, “mais óbvia” e “menos trabalhosa”. Amor não é uma questão de escolha, de coragem e covardia, mas sobretudo de caráter. Amor é um sentimento puro, genuíno, e não aquele “amor” que só “acontece” quando convém, e que usa alguém para suprir alguma falta ou carência. Amor de verdade resiste ao tempo, à rotina e à distância e supera qualquer obstáculo ou dificuldade. Portanto, a escolha “mais fácil”, “mais óbvia”, “mais prática” e “menos trabalhosa”, que só poderia ser feita por um homem sem caráter, é ter alguém fora do relacionamento, que se dispõe a aceitar qualquer coisa “em nome do amor” e não vê problema algum em se doar por inteira em troca de alguns instantes prazerosos, submetendo-se a um relacionamento de conveniência e que só serve para preencher os vazios existenciais de alguém que não ama ninguém além de si mesmo. E essa escolha “fácil”, é justamente a que não vinga, a que tem prazo de validade, uma vez que, em algum momento, o cara vai abandonar essa zona de conforto que não interessa mais. Um homem, mesmo sem caráter, mesmo solteiro, dificilmente escolhe a “mais fácil” diante daquela que ele nunca deixou de estar, e isso nada tem a ver com coragem ou covardia, porque ninguém é covarde o suficiente para estar com alguém que não queira. Normalmente, essa “opção” sempre disponível e que aceita qualquer proposta de negociação – não cobre mais a falta, o vazio e o buraco que outra pessoa deixou. “Amante” é mesmo um termo tão pobre e tão cafona quanto quem se presta a ser, entretanto, elas se acham muito espertas, ou que nunca serão enganadas – sendo que, falha de caráter não é seletiva e qualquer pessoa pode ser enganada sem exceção. Elas acreditam, inclusive, que nunca serão descartadas, e se não fossem, não seriam “amantes”. É só pra isso que servem. É que nem todo mundo foi feito pra transbordar, tem gente foi feita para sobrar. Se contenta em ser sobra, em ser aquilo que se come sem apetite só pra não desperdiçar. O amor só cabe para quem tem coragem de fugir do superficial. O amor é para quem tem coragem de ser luz e não sombra.

Festival wear

Look EDC

Do básico para o ousado, original e criativo

Eu nunca me interessei pelas extravagâncias, excesso de acessórios, brilho, cores e plumas dos looks para as raves, sobretudo EDC e Tomorrowland. Apesar de não apreciar esse tipo de look em mim, admiro a coragem de quem usa e normalmente são pessoas que esbanjam personalidade e criatividade e os looks ficam realmente incríveis nessas pessoas. Mas em mim não funciona e eu não sou do tipo que copia fielmente o que todo mundo está usando apenas para me sentir incluída naquele universo.

No entanto, eu sempre analisei essas produções em busca de inspirações para criar o meu próprio estilo. Então, fui incorporando alguns detalhes como headbands tanto florais como de metal, pulseiras coloridas, e uso com moderação algumas kandis que eu não abro mão na hora de compor o look dependendo do tipo de festival — sim, isso me influencia muito na escolha do look. Não é só porque é um festival que tá liberado qualquer produção e eu sigo alguns critérios, analiso o que combina ou não com cada tipo de evento — mas falarei a respeito disso em outro post.

Ao frequentar eventos de música eletrônica (Clubs e Open Air) assiduamente e ficar cada vez mais imersa nesse mundo, é impossível não abandonar o básico e não se entregar às diversas formas para revelar sua personalidade, além de sentir a liberdade de ser o que você é ou o que você quiser ser sem julgamentos. A make, os looks e os acessórios te transformam de tal maneira que você deixa de ser uma mera espectadora daquele evento e passa a fazer parte dele.

Meu primeiro look customizado para Festival

Eu só tive coragem de me aproximar um pouco mais do “critério base” para a composição do rave look (top e saia de tule), porque além de querer ousar um pouco mais, eu queria, sobretudo, homenagear o Above & Beyond bem como o Group Therapy que tem sua arte representada por fitas coloridas.

Antes disso, eu só usava alguns acessórios que completavam o look tradicional, como arco de strass, headbands florais e de metal e pulseiras de cristal swarovski colorido — cada pedra de uma cor e vocês já devem imaginar o motivo né? Tudo o que me remete ao Group Therapy do A&B pode virar um potencial acessório para compor o look.

Apesar do meu top ter ficado idêntico ao “padrão EDC Las vegas” — facilmente identificado por aqueles que conhecem o estilo — como eu já mencionei, não sou muito fã dos exageros dos rave looks, logo, a saia foi mais discreta, mas isso não significa que tenha ficado sem graça com apenas uma camada de tule fino com forro, e sim, com duas camadas degradê de tule com forro, dando leveza e volume moderado para a saia, além de ter o acabamento das bainhas com fitas de cetim pretas (o que faz muito sentido, né?).

O resultado foi lindo e me senti muito realizada com a produção desse look. A roupa para o festival é como você se revela e para isso é imprescindível que ela seja tão única e expressiva quanto você.

A produção de um Look Festival original

Imaginem só, eu, sozinha, brilhando (literalmente) no meio de uma multidão paulista vestida casualmente de cinza, branco e preto!


[Edit em 15/12/2018]

É que até 2015, não se via tanta diversidade e originalidade nos looks para festivais no Brasil, principalmente em São Paulo em que as pessoas costumam buscar um estilo mais tradicional para se vestir. Em 2016, a moda dos festivais começou a pegar timidamente por aqui e só explodiu em 2017.


Eu sempre busco me inventar e reinventar em tudo o que eu faço e com meus looks não seria diferente. Tenho muitas ideias em mente, principalmente inspirados no A&B já que a arte com fitas e cores tem inúmeras possibilidades.

É muito importante produzir um look autêntico cheio de personalidade porque isso representa quem você é dentro desse universo da música eletrônica, revela sua imagem, sua individualidade e sua marca e é bem melhor ser reconhecida e lembrada por quem você é e pela sua reputação, originalidade e presença do que se esconder atrás de cópias literais e mal feitas que não revelam nada sobre você além da falta de personalidade, criatividade e a incapacidade de se inspirar para criar algo original.

O único desafio que encontramos hoje é o acesso limitado às roupas, acessórios e make — que são vendidas facilmente lá fora e você consegue montar seu look sem problema algum. — Já no Brasil, não existem lojas específicas mas é possível encontrar algumas peças em lojas online e em algumas lojas físicas como a Forever 21, Renner e Riachuelo mas não possuem muita variedade. Então, se você quiser criar um look autêntico, expressivo, único ou muito específico, terá que colocar a mão na massa para produzir.

Veja também: Requisitos básicos para produzir um Look festival Original